Dia 6 de 64

Dia 6

O fim do dilúvio e o arco-íris

Gênesis 8:1–9:17

  1. Deus se lembrou de Noé

    Deus se lembrou de Noé

    Depois de tanta chuva, a Bíblia diz uma frase linda: “E lembrou-se Deus de Noé” e de todos os animais que estavam com ele na arca. Deus fez passar um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar. As fontes do abismo e as janelas do céu se fecharam, e a chuva parou.

    Gênesis 8:1-3
  2. A arca pousa no monte

    A arca pousa no monte

    No sétimo mês, a arca parou sobre os montes de Ararate. As águas foram baixando devagar, dia após dia. E, no décimo mês, apareceram os topos dos montes. Depois de tanto tempo só vendo água, finalmente havia terra à vista!

    Gênesis 8:4-5
  3. A pomba e o ramo de oliveira

    A pomba e o ramo de oliveira

    Noé abriu a janela e soltou um corvo, que ficou indo e voltando. Depois soltou uma pomba, mas ela não achou onde pousar e voltou. Sete dias depois, soltou de novo... e à tarde ela voltou com uma folha de oliveira no bico! Na terceira vez, ela não voltou mais: a terra estava seca.

    Gênesis 8:6-12
  4. Saiam da arca!

    Saiam da arca!

    Noé tirou a cobertura da arca e viu que a terra estava seca. Então Deus disse: “Saia da arca, você, sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos.” E todos os animais saíram também, cada um com a sua espécie, prontos para encher a terra de novo. Um mundo novo começava!

    Gênesis 8:13-19
  5. O primeiro gesto: gratidão

    O primeiro gesto: gratidão

    A primeira coisa que Noé fez em terra firme foi construir um altar ao Senhor e oferecer um sacrifício. Deus sentiu o “cheiro suave” e prometeu no seu coração: nunca mais destruiria a terra por causa do ser humano. “Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não cessarão.”

    Gênesis 8:20-22
  6. O arco-íris da aliança

    O arco-íris da aliança

    Deus abençoou Noé e seus filhos: “Sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra.” E fez uma aliança com eles e com todos os seres vivos: nunca mais haveria um dilúvio para destruir a terra. O sinal dessa promessa? “O meu arco tenho posto nas nuvens.” Toda vez que o arco-íris aparece, Deus se lembra da sua aliança.

    Gênesis 9:1-17
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A reflexão

“O meu arco tenho posto nas nuvens; este será o sinal da aliança entre mim e a terra.”

Gn 9:13

O fato

Depois de 150 dias de águas, Deus se lembra de Noé e dos animais. Um vento passa sobre a terra, as fontes do abismo se fecham e a chuva para. A arca pousa sobre os montes de Ararate, e aos poucos os topos dos montes aparecem. Noé abre a janela e solta um corvo, que vai e volta. Depois solta uma pomba, que não acha onde pousar e retorna. Sete dias depois, ela volta com uma folha de oliveira no bico. Na terceira vez, não volta mais. A terra está seca. Deus manda que todos saiam, e o primeiro gesto de Noé é construir um altar. Deus então promete que nunca mais mandará um dilúvio e põe o arco-íris nas nuvens como sinal de uma aliança com toda a criação.

O fato é o fim de uma enchente. A verdade é que todo dilúvio interior tem um depois, e esse depois não acontece de uma vez: acontece devagar, com espera, com sinais pequenos e com uma promessa.

A verdade por trás

  1. “E lembrou-se Deus”

    É a virada do capítulo inteiro. No hebraico, zakhar, lembrar, não é só recordar uma informação: é agir em favor de alguém. Quando a Bíblia diz que Deus se lembra, alguma coisa começa a mudar. Repare que o versículo cai bem no meio da história do dilúvio. Os estudiosos notaram que o relato todo é construído como um espelho: as águas sobem, chegam ao auge, e descem na ordem inversa. E no centro exato do espelho está essa frase. No meio do pior momento, o eixo de tudo é: Deus não esqueceu.

  2. O vento sobre as águas

    O vento que Deus faz passar é ruach, a mesma palavra do Espírito que pairava sobre as águas no Dia 1. O dilúvio desfez a criação, e agora o mesmo sopro começa a refazê-la: águas que se separam, terra seca que aparece, animais que saem, homem e mulher abençoados para encher a terra. Gênesis 8 é uma segunda Criação. A mensagem para dentro é forte: depois de uma grande perda, a vida não é só consertada, ela é recriada. O mesmo sopro que te fez é o que te refaz.

  3. A arca pousa, mas ninguém sai

    A arca para no monte no sétimo mês, mas Noé só sai muitos meses depois. Ele espera. Mesmo vendo terra, não sai antes da hora. Há um tempo de pousar e um tempo de sair, e quase sempre o segundo demora mais do que a gente gostaria. Os mestres do deserto, como os Padres e Madres do Egito antigo, falavam muito da hypomoné, a paciência que fica de pé. Recomeçar não é pular para fora da arca na primeira oportunidade; é esperar a terra secar de verdade.

  4. O corvo e a pomba

    Noé solta duas aves, e elas se comportam de modo oposto. O corvo vai e volta, sem pouso e sem notícia; a pomba procura, volta, espera, e traz o sinal. Os Padres da Igreja, como Santo Agostinho, viram no corvo a alma que se alimenta do que ficou morto lá fora, e na pomba a alma que só descansa no que tem vida. Dá para ler as duas aves como duas partes de nós: a mente inquieta, que dá voltas sem pousar em lugar nenhum, e a parte mansa, que sabe esperar e reconhece um sinal de vida. E a pomba volta a aparecer no batismo de Jesus, descendo sobre as águas: sinal de que algo novo começa.

  5. A folha de oliveira

    A pomba não traz uma árvore inteira, traz uma folha. É pouco, mas é prova de que a vida voltou a brotar. Muitas vezes a esperança chega assim: pequena, frágil, quase nada. Um dia um pouco melhor. Uma conversa que alivia. O ramo de oliveira virou, em quase todas as culturas, o símbolo universal da paz, e nasceu aqui, no bico de uma pomba depois de uma tempestade. Os rabinos diziam que a folha era amarga, e mesmo assim a pomba preferiu algo amargo vindo da mão de Deus a algo doce vindo da mão do homem.

  6. O primeiro gesto é gratidão

    Noé sai de uma tragédia. Perdeu o mundo que conhecia. E a primeira coisa que ele faz não é reclamar nem planejar: é construir um altar. Antes de reconstruir a casa, ele agradece por estar vivo. O mestre Eckhart dizia que, se a única oração da vida inteira fosse “obrigado”, ela já bastaria. A gratidão é o chão firme onde o resto da vida pode ser reconstruído.

  7. Plantio e colheita, dia e noite

    A promessa de Deus não é que nunca mais vai haver inverno. É que o inverno não vai durar para sempre. Frio e calor, verão e inverno, dia e noite: a vida continua sendo feita de ciclos. O Eclesiastes diria depois que há tempo para tudo. A promessa é de ritmo, não de ausência de dificuldade.

  8. O arco nas nuvens

    A palavra hebraica para arco-íris é qeshet, a mesma palavra para o arco de guerra, o arco de atirar flechas. A leitura tradicional é linda: Deus pendura a sua arma no céu, virada para cima, longe da terra. É um sinal de desarmamento. E repare em quem se lembra quando o arco aparece: “verei o arco e me lembrarei da aliança”. É Deus que olha para ele. O arco-íris não é um lembrete para nós; é um lembrete de Deus para si mesmo. E ele só aparece quando sol e chuva estão juntos. Não existe arco-íris sem as duas coisas: a luz precisa atravessar as gotas.

  9. Uma aliança com todo ser vivente

    É a primeira aliança da Bíblia, e ela não é feita com um povo nem com uma religião. É feita com Noé, com os seus descendentes, e com “toda alma vivente”: aves, gado, animais selvagens. A tradição judaica tirou daqui as sete leis de Noé, válidas para toda a humanidade. Antes de qualquer divisão entre povos, existe um pacto que abraça todos.

Pra vida real

  • Se você está no meio de um dilúvio, lembre que ele tem fim. Não precisa saber quando; só precisa saber que tem.
  • Respeite o tempo de pousar e o tempo de sair. Não force um recomeço antes da terra secar.
  • Repare nas suas duas aves: o corvo que fica dando voltas na sua cabeça e a pomba que sabe esperar. Alimente a pomba.
  • Valorize as folhas de oliveira: os sinais pequenos de que a vida está voltando.
  • Comece qualquer reconstrução pela gratidão. Agradeça antes de planejar.
  • Quando vir um arco-íris, lembre: ele só existe porque a luz atravessou a chuva.

Reflexão do dia

Qual é a “folha de oliveira” que já apareceu na sua vida e que você ainda não percebeu como sinal de que o pior passou?

Prática

Hoje, antes de dormir, faça o seu pequeno “altar”: escreva ou diga em voz baixa três coisas pelas quais você é grato, mesmo depois das tempestades que viveu. Depois, lembre de um momento difícil que já passou e complete a frase: “Naquele dilúvio, Deus se lembrou de mim quando…”. Se puder, nos próximos dias, quando vir um arco-íris, uma pomba ou um ramo verde, faça uma pausa de um segundo e diga por dentro: “Obrigado. A aliança continua.”

Lembrando: esta é uma interpretação, não A interpretação. Deixe o texto falar com você.

AmanhãA Torre de Babel — quando a humanidade quis chegar ao céu com as próprias mãos.